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O papel do auditor interno na era da Sarbanes-Oxley

artigo de Marcelo Alcântara Sócio da área de Gestão de Riscos Empresariais da Deloitte

O papel do auditor interno na era da Sarbanes-Oxley

 

 

A auditoria interna ganha posição central no cenário de esforços pela governança corporativa e se torna uma função essencial para o sucesso das iniciativas de controles internos e de gestão de riscos nas empresas

 

 

Por Marcelo Alcântara

Sócio da área de Gestão de Riscos Empresariais da Deloitte e líder da linha de serviços de Auditoria Interna

 

 

Os profissionais de auditoria interna, tradicionalmente responsáveis pela avaliação independente dos riscos e controles das empresas, assim como pela identificação de oportunidades de melhoria em seus processos de negócios, passaram a assumir, mais recentemente, um papel importante nas estruturas de gestão de riscos. Nos anos recentes, eles vêm sendo chamados a participar ativamente das iniciativas de aprimoramento da qualidade dos sistemas de gestão, apoiando substancialmente as ações de aderência às novas regulamentações que prevêem práticas de governança corporativa. Hoje, uma nova tarefa se coloca para os auditores internos: a gestão de riscos empresariais, comumente conhecida pela sigla ERM, de “Enterprise Risk Management”.

 

Os esforços para dar conta dessa nova missão são os mais desafiadores já vivenciados por esses profissionais. Embora a necessidade de gerenciar riscos já esteja clara às empresas, a responsabilidade tamanha do auditor interno nesse processo continua quase desconhecida. Ainda existe no mercado uma confusão substancial sobre os papéis exercidos por esse profissional, o que decorre também da falta de compreensão adequada do próprio conceito de ERM.

 

O fato é que os auditores internos têm uma função estratégica para as políticas de gestão de riscos. Quase por definição, eles já possuem um conjunto de habilidades naturalmente apropriadas para a correta avaliação de riscos e a maioria deles tem um amplo entendimento dos princípios sob os quais os riscos são operados. Tanto os auditores internos quanto a companhia como um todo podem se beneficiar dessa visão mais ampla dos processos, considerando inclusive que a avaliação dos riscos hoje requerida pelas regulamentações e pelas mais altas práticas de governança corporativa não se restringe apenas aos itens que possam ser considerados auditáveis. Os riscos financeiros concentraram a maior parte das atenções durante os anos iniciais de implementação dos requerimentos da Sarbanes-Oxley, mas atualmente, uma diversidade de riscos – com destaque para os não financeiros – passa a ter impacto significativo no valor da organização, merecendo ser considerados nas políticas de gerenciamento. Eis um dos grandes diferenciais que a expertise dos auditores internos apresenta ao mercado.

 

A auditoria interna também pode desempenhar um outro importante papel na gestão de riscos: apoiar o conselho de administração a dar conta de suas responsabilidades na supervisão dos processos. Os auditores internos podem colaborar para que a alta administração alcance um modelo inteligente de gerenciamento de riscos, oferecendo o devido suporte para a avaliação de riscos, processos e sistemas, assim como para diferenciar entre os riscos que valham a pena à empresa experimentar – de maneira controlada – daqueles outros que merecem ser sempre evitados.

 

O próprio Instituto dos Auditores Internos (IIA, na sigla em inglês), entidade que regula o exercício dessa atividade profissional no mundo, uma das responsabilidades mais importantes da auditoria interna hoje em dia é determinar se o gerenciamento de riscos foi apropriadamente endereçado pelo conselho e pela alta administração da empresa. A posição do IIA é clara nesse sentido, enfatizando que a função de auditoria interna deve se engajar basicamente nas ações de garantir segurança aos processos de gestão de riscos, de maneira a verificar se há uma avaliação adequada tanto dos riscos quanto dos próprios processos que os gerenciam.

 

Entretanto, ao mesmo tempo em que a participação nas atividades de gerenciamento de riscos é um fato irrefutável aos auditores internos, é certa também a necessidade de que esses profissionais preservem a independência e objetividade que sempre os caracterizaram. O desafio dos auditores internos é duplo, portanto. De um lado, é preciso se adequar a um cenário em que novos papéis são exigidos. De outro, faz-se necessário manter a isenção que historicamente caracterizou o papel do auditor interno. Do sucesso dessa empreitada depende boa parte das corporações empenhadas em aprimorar os seus programas de controles internos e de gestão de riscos.

 


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