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África do Sul e o Apartheid disfarçado

 

                                A África do Sul continua a ser um país de disparidades sociais.

 

Mesmo após o fim do apartheid (separação em Afrikander), o país vive a mesma situação econômica segregacionista. O país de Mandela viveu a segregação racial de 1948 a 1990, quando o regime foi abolido por Frederik de Klerk. O conceito de apartheid era designar um regime segundo o qual os brancos detinham o poder e os povos restantes deveriam viver obrigatoriamente separados dos brancos. Digo obrigatório, porque o regime foi implementado por lei.

De um lado a minoria branca, no topo da escala social, dominando economicamente o país e do outro lado a maioria negra, mais de 70% da população, convivendo com salários miseráveis, altas taxas de desemprego e raras chances de ascenção social. Excluídos de tudo.

Esta situação que permanece desde a eleição de Mandela faz surgir na população um sentimento de revolta extremamente perigoso que pode levar à uma situação de caos social.

Estive na África do Sul recentemente e presenciei uma falsa liberdade. Existe  medo no olhar de cada cidadão. Conversei com os negros do país e a situação ainda é muito delicada. O desemprego é uma preocupação constante do Governo, nem brancos nem negros encontram espaço no mercado de trabalho. Existe atualmente uma cota para empregados negros, o que gerou uma insatisfação nos brancos. As casas dos bairros brancos são monitoradas com vigilância armada 24 horas, cercas elétricas e outras parafernálias e ofendículos.  

Visitei o museu do apartheid e em certos momentos chorei, me comovi e não tive coragem de ver certas imagens tão violentas contra seres humanos, pessoas comuns, pessoas do povo.

Ninguém gosta de relembrar o passado, tampouco aceitam falar abertamente, pois brancos ou negros tem tristes história para relembrar. O passado foi varrido para debaixo do tapete, mas a qualquer momento ele será erguido.  

O recente episódio do assassinato do ex-chefe dos serviços secretos sul-africanos durante o apartheid e líder do Movimento de Resistência Afrikander, Eugene Terreblanche, pode ser o início de um movimento nacional.

Jacob Zuma, presidente do país, tem por obrigação desenvolver um governo voltado para a maioria, gerando empregos e diminuindo com o tempo esta disparidade social .   

As favelas existem e são de negros, faculdades para negros ainda são realidade, os guetos pertencem à maioria negra, o futebol é considerado esporte de negros e portanto a copa é segundo os brancos, para eles. O inglês idioma oficial não é o mais falado, existem 11 dialetos.

O país merece reconhecimento internacional, merece sair das estatísticas, merece ser lembrado por suas belezas naturais e por sua alegria na música e na dança. Por isso não gostam de relembrar, mas a dor é muito recente e as mágoas ainda existem.

 

 Eliane Calixto

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